O resfriado comum é uma das infecções virais mais difundidas do trato respiratório superior, caracterizada pela tosse, cansaço, febre, dor de garganta e dor muscular, que persistem por um período que varia de alguns dias a não mais de 3 semanas. Existem mais de 200 vírus que podem causar os sintomas frios comuns, incluindo coriza, congestão, espirro, dor de garganta, tosse e, às vezes, dor de cabeça e febre. Uma vez que o resfriado comum é geralmente causado por um dos vírus respiratórios, os antibióticos são inúteis e, portanto, outras opções potenciais de tratamento são de interesse substancial para a saúde pública.
O mito popular de que uma ingestão muito alta de vitamina C pode levar a uma menor suscetibilidade a infecções do trato respiratório se origina das teorias de Linus Pauling, publicadas nos anos 70. Segundo ele, uma ingestão diária de vitamina C de 1.000 mgs pode reduzir a incidência de resfriados em cerca de 45% e a ingestão diária ideal de vitamina C para viver de forma saudável e prevenir a doença, deve ser de pelo menos 2,3 g.
Das teorias de Pauling até o presente, foi adquirida uma compreensão considerável tanto do papel fisiológico da vitamina C quanto do impacto da suplementação de vitamina C na saúde. É sabido que uma dieta equilibrada que satisfaça a ingestão diária de vitamina C afeta positivamente o sistema imunológico e reduz a suscetibilidade a infecções.
Diversos trabalhos foram realizados desde então e, a conclusão dos autores foi que, na população geral, a suplementação de rotina de Vitamina C não impactou na incidência de resfriado e gripes, contudo há a possibilidade de redução na duração da gripe com 1g/dia de vitamina C (8% para adultos e 14% para crianças), apesar da relevância clínica ainda não estar clara.
Especificamente quanto a infecção pelo COVID-19, é sugerido que a suplementação pode ser uma das escolher para o tratamento de suporte, com a dose de 0,2-1g/dia, para indivíduos com risco de infecção de vias aéreas, como idosos frágeis. Ainda aguardamos análises sistemáticas.

Há um grupo em especial, pessoas sob forte esforço e estresse, como os atletas e soldados, que a suplementação de vitamina C (0,25-1,0 g/dia) e pode prevenir sintomas de infecção de vias aéreas superiores e deve ser considerar durante períodos de risco aumentado de infecção, por exemplo, viagens ao exterior para competições importantes.
Nos estudos com pacientes com sepse e síndrome da angustia respiratória aguda, uma infusão de 96 horas de vitamina C em comparação com o placebo não melhorou significativamente os escores de disfunção dos órgãos ou alterou marcadores de inflamação e lesão vascular, contudo novos trabalhos estão com resultados promissores.
As necessidades diárias recomendadas para brasileiros são de 75 mg/dia para mulheres e 90 mg/d para homens, com principais fontes são frutas cítricas e vegetais crus. Desse modo, se a dieta é equilibrada, o risco é menor de deficiência.
E quanto aos efeitos colaterais?
A ingesta de Vitamina C como suplemento é barata e seguro, porém há 2 grupos que devem considerar não a fazer: doentes renais crônicos e os litiásicos (produtores de cálculos renais).
A eliminação das vitaminas hidrossolúveis ingeridas em quantidades fisiológicas ocorre por biotransformação e por excreção renal na sua forma ativa, em proporções variáveis para cada agente. A capacidade de absorção do ácido ascórbico no intestino é de aproximadamente 1200 mg/24h. Quando o suprimento em ácido ascórbico aumenta muito, a absorção diminui, passando de 49,5% para uma dose oral de 1,5g, a 16,1%, para uma dose de 12 g 5 .
Uma vez que a vitamina C é parcialmente convertida em oxalato e excretada na urina, altas doses de vitamina C podem estar associadas à formação de cálculos de oxalato de cálcio.
O uso de ácido ascórbico em homens foi associado a um risco de produção de cálculos renais estatisticamente significativo de 2 vezes. Em contrapartida, o uso multivitamínico não mostrou evidências.
Portando, que tal ter uma dieta equilibrada?
Dra Ana Paula Giraldes – CRM 150569.
Nefrologista – RQE 75898
Fonte: 1. Fowler AA 3rd, Truwit JD, Hite RD, et al. Effect of Vitamin C Infusion on Organ Failure and Biomarkers of Inflammation and Vascular Injury in Patients With Sepsis and Severe Acute Respiratory Failure: The CITRIS-ALI Randomized Clinical Trial [published correction appears in JAMA. 2020 Jan 28;323(4):379]. JAMA. 2019;322(13):1261-1270. doi:10.1001/jama.2019.11825
2. Infusino F, Marazzato M, Mancone M, et al. Diet Supplementation, Probiotics, and Nutraceuticals in SARS-CoV-2 Infection: A Scoping Review. Nutrients. 2020;12(6):1718. Published 2020 Jun 8. doi:10.3390/nu12061718
3. Walsh NP. Nutrition and Athlete Immune Health: New Perspectives on an Old Paradigm. Sports Med. 2019;49(Suppl 2):153-168. doi:10.1007/s40279-019-01160-3
4. Hemilä H, Chalker E. Vitamin C for preventing and treating the common cold. Cochrane Database of Systematic Reviews 2013, Issue 1. Art. No.: CD000980. DOI: 10.1002/14651858.CD000980.pub4
5. Cerullo G, Negro M, Parimbelli M, et al. The Long History of Vitamin C: From Prevention of the Common Cold to Potential Aid in the Treatment of COVID-19. Front Immunol. 2020;11:574029. Published 2020 Oct 28. doi:10.3389/fimmu.2020.574029
6. Cerullo G, Negro M, Parimbelli M, et al. The Long History of Vitamin C: From Prevention of the Common Cold to Potential Aid in the Treatment of COVID-19. Front Immunol. 2020;11:574029. Published 2020 Oct 28. doi:10.3389/fimmu.2020.574029
7. Thomas LDK, Elinder C, Tiselius H, Wolk A, Åkesson A. Suplementos de Ácido Ascórbico e Incidência de Pedra Renal entre homens: Um estudo prospectivo. JAMA Intern Med. 2013;173(5):386–388. doi:10.1001/jamainternmed.2013.2296





