As novas boas notícias para a Nefrologia

A expectativa de vida é significativamente reduzida quando a função renal diminui ou a albuminúria se desenvolve. Estimativas globais indicam que 1,2 milhão de mortes foram atribuídas a doenças renais crônicas em 2017; atualmente, estima-se que mais de 3 milhões de pessoas em todo o mundo estejam recebendo tratamento para insuficiência renal, com previsões de que o número aumentará para mais de 5 milhões até 2035.

O diabetes mellitus tipo 2 é a principal causa de insuficiência renal em todo o mundo, e sua crescente prevalência nas últimas décadas é o principal fator responsável pelo aumento substancial da doença renal em estágio terminal.

Poucos tratamentos eficazes a longo prazo estão disponíveis, sendo o único aprovado, até recentemente, para a renoproteção em pacientes com diabetes tipo 2 era o bloqueio do sistema de renina-angiotensina, que se mostrou eficaz pela primeira vez há 18 anos.

Os inibidores do cotransportador de sódio-glicose 2 (SGLT2), no Brasil temos canagliflozina, dapagliflozina e empagliflozina, surgiram inicialmente para tratamento de diabetes mellitus tipo 2, com o mecanismo de glicosúria (perda de glicose na urina), reduzindo não só a hemoglobina glicada, mas também peso e pressão arterial. Com o tempo foram observados, em grandes ensaios clínicos envolvendo estes pacientes, outros efeitos favoráveis nos desfechos renais e cardiovasculares.

O estudo CREDENCE (Canagliflozina e Eventos Renais em Diabetes com Avaliação Clínica de Nefropatia Estabelecida) mostrou que a administração de longo prazo da canagliflozina conferiu proteção renal e cardiovascular em pacientes com diabetes tipo 2 com doença renal crônica, com os benefícios dos inibidores SGLT2 independentes de seus efeitos de redução da glicose no sangue, gerando natriurese e diurese osmótica induzida por glicose, levando a uma redução da pressão intraglomerular; esse efeito hemodinâmico favorável pode preservar a função renal em pessoas com doenças renais devido a causas diferentes do diabetes tipo 2.

Após essa ótima descoberta, iniciaram trabalhos para verificar se o mesmo benefício era observado em pacientes renais crônicos sem diabetes. No estudo Dapagliflozina e Prevenção de Desfechos Adversos em Doença Renal Crônica (DAPA-CKD) pessoas com doença renal crônica que receberam dapagliflozina, apresentaram um risco significativamente menor de queda da taxa de filtração glomerular, de evoluírem para doença renal em estágio terminal ou morte por causas renais ou cardiovasculares do que aquelas que receberam placebo, independente da presença ou ausência de diabetes tipo 2. Além disso, aqueles que receberam dapagliflozina apresentaram menor risco de morte por causas cardiovasculares ou internação por insuficiência cardíaca e tiveram maior sobrevida.

Essas são boas notícias, aumentando nosso arsenal de medicamentos afim de retardar a progressão a longo prazo da doença renal crônica.

Consulte seu nefrologista!

Dra Ana Paula Giraldes – CRM 150569.
Nefrologista – RQE 75898


Fonte: Heerspink, Hiddo J.L. and Stefánsson, et al. Dapagliflozin in Patients with Chronic Kidney Disease. New England Journal of Medicine, v 383, pages 1436-1446. 2020. doi = 10.1056/NEJMoa2024816.

Perkovic, Vlado and Jardine, et al. Canagliflozin and Renal Outcomes in Type 2 Diabetes and Nephropathy. New England Journal of Medicine, v 380, pages 2295-2306. 2019.doi 10.1056/NEJMoa1811744.